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DOENÇAS DE VEICULAÇÃO HÍDRICA

 

INTRODUÇÃO

 

Este material foi produzido pela equipe do Projeto Tele-Educa para ser disponibilizado no site do Telessaúde Acre, visando agregar informações sobre as diversas doenças de veiculação hídrica para estudantes e população geral. Destaca as principais doenças com suas características (sinais e sintomas, diagnóstico e tratamento), medidas preventivas e as condições que favorecem a proliferação.

As doenças de veiculação hídrica, como o próprio nome já diz, são doenças em que a água é o principal veículo de transmissão. As principais são: amebíase, giardíase, gastroenterite, febre tifoide e paratifoide, hepatite infecciosa (Hepatite A e E) e cólera.

Indiretamente, a água também está ligada à transmissão de verminoses, como esquistossomose, ascaridíase, teníase, oxiuríase e ancilostomíase.

Essas doenças são consideradas um problema de saúde pública e estão relacionadas ao meio ambiente, sendo que fatores como a deficiência do sistema de abastecimento de água tratada, a insuficiência de saneamento básico, o destino inadequado dos dejetos, a alta densidade populacional, as carências habitacionais (invasões) e a higiene inadequada, favorecem a instalação e rápida disseminação dessas doenças.

Principais doenças que se relacionam direta e indiretamente com a água e as condições socioambientais.

 

 GIARDÍASE

 É uma parasitose intestinal mais freqüente em crianças do que em adultos e que tem como agente etiológico a Giardia lamblia. Este protozoário flagelado tem incidência mais alta em climas temperados.

Sintomas:

A giardíase se manifesta por cólicas intestinais seguidas de diarreia, flatulências, náusea que diminuem de intensidade quando ocorre ingestão de alimentos, perda de apetite e irritabilidade. Raramente observa-se muco ou sangue nas fezes do indivíduo com giardíase. No entanto, possui odor fétido acompanhadas de gases. Em alguns casos o estado agudo da doença pode durar meses levando à má absorção de várias substâncias inclusive vitaminas como as lipossolúveis.

 Contaminação:

Ocorre quando os cistos maduros são ingeridos pelo indivíduo através da água, alimentos contaminados ou em alguns casos, por meio de mãos contaminadas.

 Tratamento de Giardíase:

Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para cada caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Seguir as orientações médicas é importante para que a infecção não volte. O tratamento também diminui as chances de transmissão da giardíase para outras pessoas. NUNCA se automedique.

Em casos de diarreia é importante comer pequenas quantidades de comidas leves até que o paciente se sinta melhor. Também é importante se hidratar, principalmente no caso das crianças, onde a desidratação ocorre com mais facilidade.

 Prevenção:

As medidas de prevenção estão relacionadas às condições básicas de higiene e hábitos de vida, portanto deve-se:

  • Só ingerir alimentos bem lavados e/ou cozidos;
  • Lavar as mãos antes das refeições e após o uso de sanitários;
  • Construção de fossas e redes de esgotos;
  • Só beber água filtrada e/ou fervida;
  • Tratar as pessoas doentes;

  

AMEBÍASE

 

Existem várias espécies de amebas que podem ser encontradas no homem, mas a única espécie patogênica em determinadas condições é a Entamoeba histolytica. A amebíase se dá pela infecção do protozoário (E. histolytica), que pode se beneficiar de seu hospedeiro sem causar benefício ou prejuízo, ou ainda, agir de forma invasora. Neste caso, a doença pode se manifestar dentro do intestino ou fora dele (disseminação para outros órgãos).

A E. histolytica  tem ampla distribuição geográfica, sendo encontrada praticamente em todos os países do mundo e afeta de um modo geral 10% da população mundial.

 Sintomas:

Seus principais sintomas são desconforto abdominal, que pode variar de leve a moderado, sangue nas fezes, forte diarreia acompanhada de sangue ou mucoide, além de febre e calafrios.

Nos casos mais graves, a forma trofozoítica do protozoário pode se espalhar pelo sistema circulatório e, com isso, afetar o fígado, pulmões ou cérebro. O diagnóstico breve nestes casos é muitíssimo importante, uma vez que, este quadro clínico, pode levar o paciente à morte.

Transmissão: 

A amebíase é transmitida ao homem através do consumo de alimentos ou água contaminados por fezes com cistos amebianos, falta de higiene domiciliar e também através da manipulação de alimentos por portadores desse protozoário.

Uma vez dentro do organismo de seu hospedeiro, o período de incubação varia de 10 dias até um ano.

Diagnóstico:

O diagnóstico mais comum se dá pela presença de trofozoítos ou cistos do parasita nas fezes, pelo exame de endoscopia ou proctoscopia, através da análise de abscesso ou cortes de tecido, etc. Quando não tratada, esta doença pode durar anos.

Prevenção:

A prevenção se dá através de medidas higiênicas mais rigorosas junto às pessoas que manipulam alimentos, melhorar o saneamento básico, evitar consumir água de fonte duvidosa, higienizar verduras, frutas e legumes antes de consumi-los, lavar bem as mãos antes de manipular qualquer tipo de alimento e, principalmente, após utilizar o banheiro.

 

FEBRE TIFOIDE

 

A Febre Tifoide é causada pela Salmonella typhi, doença altamente contagiosa de transmissão hídrica e/ou alimentar. Como está relacionada às condições socioeconômicas, é mais comum nos países com saneamento básico precário, nos quais os resíduos humanos podem entrar em contato com fontes de água e com a cadeia de alimentação.

A transmissão geralmente é indireta e ocorre pela ingestão de água e alimentos, principalmente o leite e derivados contaminados com fezes ou urina de pessoas doentes ou portadoras. Sem tratamento com antibiótico adequado, a doença pode ser fatal em até 15% dos casos.

 

Manifestações clínicas:

Os sinais e sintomas clássicos são febre alta, cefaleia (dor de cabeça), mal-estar geral, dor abdominal, anorexia, bradicardia relativa (dissociação pulso/temperatura), constipação ou diarreia, tosse seca, roséolas tíficas (manchas rosadas no tronco – achado raro) e hepatoesplenomegalia (aumento do fígado e baço). Em casos graves pode ocorrer o sangramento intestinal e/ou perfuração intestinal e até o óbito.

 Tratamento:

O tratamento para febre tifoide pode ser feito com repouso, antibióticos prescritos pelo médico, dieta indicada pelo nutricionista com o mínimo de gordura e calorias e a ingestão de líquidos como água, sucos naturais e chás para hidratar o paciente.

A internação hospitalar geralmente é necessária nos casos graves da doença para o indivíduo receber antibióticos e soro fisiológico pela veia.

Prevenção:

O saneamento básico, o preparo adequado dos alimentos e a higiene pessoal são as principais medidas de prevenção. Em se tratando de alimentos, observar os seguintes aspectos:

  • Consuma água tratada.
  • Selecione alimentos frescos com boa aparência, e antes do consumo os mesmos devem ser lavados e desinfetados.
  • Para desinfecção, os alimentos crus como frutas, legumes e verduras devem ser mergulhados durante 30 minutos em uma solução preparada com 1 colher de sopa de hipoclorito de sódio a 2,5% para cada litro de água tratada.
  • Consuma leite e derivados pasteurizados.
  • Não utilize alimentos depois da data de vencimento.
  • Lave as mãos regularmente:

– antes, durante e após a preparação dos alimentos;

– ao manusear objetos sujos;

– depois de tocar em animais;

– depois de ir ao banheiro ou após a troca de fraldas;

– antes da amamentação.

  • Lave e desinfete todas as superfícies, utensílios e equipamentos usados na preparação de alimentos.
  • Proteja os alimentos e as áreas da cozinha contra insetos, animais de estimação e outros animais (guarde os alimentos em recipientes fechados).

 

 

CÓLERA

 

Doença infecciosa intestinal aguda, causada pela enterotoxina do Vibrio cholerae, cuja transmissão ocorre principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados por fezes ou vômitos de doente ou portador. Os alimentos e utensílios podem ser contaminados pela água, pelo manuseio ou por moscas. A elevada ocorrência de assintomáticos (portador sadio), em relação aos doentes, torna importante seu papel na cadeia de transmissão da doença. A contaminação pessoa a pessoa é também importante na cadeia epidemiológica.

  

Sinais e sintomas:

 Pode haver desde infecções inaparentes até diarreia profusa e grave. Além da diarreia, podem surgir vômitos, dor abdominal e, nas formas severas, cãibras, desidratação e choque. Febre não é uma manifestação comum.

Nos casos graves mais típicos (menos de 10% do total), o início é súbito, com diarreia aquosa, abundante e incoercível, com inúmeras dejeções diárias. A diarreia e os vômitos, nesses casos, determinam uma extraordinária perda de líquidos, que pode ser da ordem de 1 a 2 litros por hora.

Os quadros leves e as infecções assintomáticas são mais freqüentes do que as formas graves.

Transmissão:

O V. cholerae é eliminado pelas fezes ou vômitos de pessoas infectadas, sintomáticas ou não e pode ser transmitido das maneiras a seguir.

  • Transmissão direta – maneira mais freqüente e de maior incidência nos surtos. Ocorre, principalmente, pela ingestão de água ou alimentos contaminados.
  • Transmissão indireta – ocorre pela contaminação através de objetos contaminados ou pessoa a pessoa, devido, principalmente, à elevada existência de assintomáticos (portadores sadios).

Tratamento:

O tratamento fundamenta-se na reposição rápida e completa da água e dos sais perdidos pela diarréia e vômitos. Os líquidos deverão ser administrados por via oral ou parenteral, conforme o estado do paciente.

  • Formas leves e moderadas – hidratação oral, com soro de reidratação oral (SRO).
  • Formas graves – hidratação venosa + antibioticoterapia, cujo objetivo é reduzir a disseminação da doença e desidratação.

 Prevenção:

Uma das ações prioritárias é o investimento público para melhoria da infraestrutura dos serviços de abastecimento de água para consumo humano, coleta e tratamento de esgotos e resíduos sólidos, no sentido de prover a população de condições adequadas de saneamento básico, contribuindo para a prevenção, controle e redução dos riscos e casos da doença. Assim, é necessário seguir as orientações expostas abaixo.

  • Realizar adequada coleta, acondicionamento, transporte e disposição final dos resíduos sólidos, tanto domésticos quanto das unidades de saúde.
  • Garantir o destino e o tratamento adequado dos dejetos, tanto doméstico quanto das unidades de saúde.
  • Exercer de forma sistemática a vigilância do V. cholerae nos meios de transporte e terminais portuários, aeroportuários, rodoviários, ferroviários e nas fronteiras de maior risco à entrada do agente etiológico.
  • Promover medidas que visem à redução do risco de contaminação de alimentos, em especial no comércio ambulante.
  • Estabelecer processos de trabalho para garantir a qualidade dos processos de limpeza, desinfecção e sanitização, especialmente para serviços de saúde e para a área de preparo de alimentos.
  • Promover as atividades de educação em saúde.
  • Garantir o acesso da população aos serviços de diagnóstico e tratamento.
  • Na inexistência de acesso à água potável, realizar o tratamento da água no domicílio utilizando-se a solução de hipoclorito de sódio 2,5%. Na falta da solução de hipoclorito de sódio 2,5%, ferver a água durante 5 minutos. Marcar os 5 minutos após o início da fervura/ebulição. Acondicionar a água em recipientes limpos e hermeticamente fechados.
  • Orientar o isolamento entérico de casos sintomáticos em domicílio.

 

HEPATITES INFECCIOSAS (Hepatite A e E)

 

As hepatites infecciosas de características hídricas são as hepatites A e E e estão relacionadas às condições de saneamento básico, higiene pessoal, qualidade da água e dos alimentos.

A hepatite A tem uma distribuição universal, porém desigual entre algumas regiões geográficas e grupos populacionais. É mais comum em crianças e se apresenta de forma benigna. Geralmente após 3 meses o paciente já está recuperado. Apesar de não haver forma crônica da doença, há a possibilidade de formas prolongadas e recorrentes, com manutenção das aminotransferases em níveis elevados por vários meses. A forma fulminante, apesar de rara (menos que 1% dos casos), apresenta prognóstico ruim, podendo levar ao óbito. O quadro clínico é mais intenso à medida que aumenta a idade do paciente.

No caso da hepatite E não há relato de evolução para a cronicidade ou viremia persistente. Em gestantes, porém, a hepatite é mais grave e pode apresentar formas fulminantes. A taxa de mortalidade em gestantes pode chegar a 25%, especialmente no terceiro trimestre, podendo ocorrer em qualquer período da gestação. Também há referências de abortos e mortes intra-uterinas.

 Sinais e sintomas

Os sinais e sintomas mais freqüentes são cansaço, tontura, enjoo e/ou vômitos, febre, dor abdominal, perda de apetite, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras (esbranquiçadas). Entretanto, nem todas as pessoas infectadas desenvolvem sintomas, ou seja, existem casos de infecção assintomática ou com poucos sintomas (oligossintomática).

Os sinais e sintomas da hepatite A aparecem entre 15 a 45 dias após o contato com o vírus, enquanto que os da hepatite E costumam aparecer de 14 a 60 dias após a infecção.

Tratamento

Não existe tratamento específico para as formas agudas das hepatites virais. Se necessário, apenas tratamento sintomático para náuseas, vômitos e prurido. Como norma geral, recomenda-se repouso relativo até a normalização das aminotransferases. Dieta pobre em gordura e rica em carboidratos é de uso popular, porém seu maior benefício é ser mais agradável ao paladar ao paciente anorético. De forma prática, deve ser recomendado que o próprio paciente defina sua dieta de acordo com seu apetite e aceitação alimentar. A única restrição está relacionada à ingestão de álcool, que deve ser suspensa por no mínimo seis meses. Medicamentos não devem ser administrados sem a recomendação médica para que não agravem o dano hepático. As drogas consideradas “hepatoprotetoras”, associadas ou não a complexos vitamínicos, não têm nenhum valor terapêutico.

Prevenção

Ainda não existem vacinam para as Hepatites A e E por isso as medidas de prevenção incluem cuidados de higiene redobrados quando se viaja para zonas onde a doença é comum. Não se deve consumir água nem gelo que possam provir de locais contaminados, sendo melhor optar por beber água engarrafada e selada. As frutas e os vegetais só devem ser consumidos depois de cozinhados e desaconselha-se a ingestão de marisco cru, no nosso caso peixe cru.

O contágio pessoa a pessoa é menos freqüente na hepatite E do que na hepatite A e não está provada a possibilidade de contágio sexual, mas deve ter-se em atenção os contatos oro-anais.

O cloro é o elemento químico que tem sido utilizado com sucesso na desinfecção das águas públicas nas zonas onde se registraram epidemias. Os desinfectantes à base de iodo também já provaram ser capazes de destruir o vírus.

 

 

Obs. Todas essas informações são somente para conhecimento escolar ou para esclarecimento de dúvidas, não servindo de base para estabelecer diagnóstico. Em caso de alguma suspeita procure um médico na Unidade de Saúde mais próxima de seu domicílio.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Guia de Vigilância em Saúde. Brasília, 2014. 812 p

 

BRASIL. Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Cólera, transmissão e prevenção em alimentos e ambiente. Brasília, 1993. 43 p.

 

BRASIL. Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Centro Nacional de Epidemiologia. Coordenação de Doenças Entéricas. Manual de cólera: subsídios para a vigilância epidemiológica. 2. ed. Brasília, 1993. 35 p.

 

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Manual integrado de vigilância, prevenção e controle de doenças transmitidas por alimentos. Brasília, 2010.158 p.

 

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Manual integrado de Febre Tifoide. Brasília, 2008. 92 p.

 

BRASIL. Ministério da Saúde. Capacitação em Monitorização das Doenças Diarreicas Agudas: manual do monitor. Brasília, 2010.

 

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