“Damas e Cavalheiros da Lâmpada”: a importância da enfermagem na promoção da saúde

Nesta terça-feira (12), o mundo celebra “O Dia Internacional da Enfermagem”. No Brasil, além do Dia do Enfermeiro, comemora-se a Semana da Enfermagem, entre os dias 12 e 20 de maio. No entanto, visto o cenário de pandemia, os profissionais não veem muito o que comemorar.

Profissionais homenageiam profissionais de saúde vítimas da Covid-19 (FOTO: Afonso Ferreira/G1).

Em um ano marcado pela pandemia do Novo Coronavirus, a Enfermagem recebe, em seu dia de homenagens, o maior desafio dos últimos 100 anos: o de lutar contra uma doença que ainda não tem cura ou vacina. Estes, de fato, vestem suas armaduras e enfrentam inúmeros riscos em prol da melhoria do sistema de saúde. Com o constante crescimento de casos de Covid-19, os profissionais da enfermagem, que sempre estiveram na “linha de frente”, continuam lutando para prestar serviços humanitários e de cuidado para com os pacientes.

Esta data internacional foi instituída em homenagem à italiana Florence Nightingale, que lutou pela profissionalização da profissão. A “mãe” da enfermagem moderna nasceu em 12 de maio de 1820 em Florença, na Itália. Aos 17 anos, revoltada com a realidade de submissão vivida por mulheres de sua época, resolveu que queria ser enfermeira. Seu trabalho foi reconhecido durante a Guerra da Crimeia, ocorrida entre os anos de 1853 a 1856, onde liderou uma equipe de 38 enfermeiras voluntárias para cuidar dos soldados feridos. Por conta disto, chamavam-na de “dama da lâmpada”, por usar deste instrumento de iluminação para auxiliá-la durante a noite.

No Brasil, o presidente Juscelino Kubitschek instituiu, em 1960, a Semana da Enfermagem, com início no dia internacional do enfermeiro, 12, e finalizando no dia do técnico e auxiliar em enfermagem, no dia 20 de maio, data esta que também marca o falecimento da enfermeira baiana Ana Néri, que se voluntariou na Guerra do Paraguai (1865 – 1870) cuidando dos soldados brasileiros na frente de batalha.

REALIDADE DA ENFERMAGEM BRASILEIRA

No Acre, são mais de 8 mil profissionais registrados no Conselho Regional de Enfermagem (Coren/Acre) entre enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem. No Brasil, mais de 2 milhões. No entanto, observa-se que, na prática, cada um destes se multiplicam por vários, principalmente em tempos de pandemia.

Arriscar a vida em prol do próximo requer coragem e competência, qualidades estas que nunca saíram do dicionário da enfermagem – e dos juramentos de colação de grau. Ainda assim, as remunerações salariais, horas e condições adequadas de trabalho ainda estão longes do ideal. De acordo com as informações divulgadas pelo Comitê Gestor de Crise do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), mais de 13,3 mil profissionais estão afastados do trabalho, sendo 28,5% destes com confirmação de Covid-19. Além disto, 98 profissionais morreram – número este que ultrapassa as vítimas de enfermagem dos Estados Unidos (91) e Itália (35).

FALTA RECONHECIMENTO

Apesar da semana de homenagens, o enfermeiro do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) João Batista Ferreira afirma que a população ainda não considera, de fato, a importância do profissional de enfermagem.

“Muitos colegas nossos estão morrendo dentro das unidades, se contaminando e a população não está ‘nem aí’, muita gente na rua, sem máscaras e se expondo, de forma desnecessária, ao risco”.

João Batista Ferreira, enfermeiro do Samu (FOTO: Arquivo pessoal).

Ressalta, também, o caos do sistema de saúde que preocupa os profissionais que atuam dentro e fora das unidades e a importância de seguir em quarentena.

“Quem tem (parentes internados com Covid-19) vive o caos dentro da unidade de saúde. Espero que a população não banalize isso porque é triste ver fila de pessoas para ser enterradas no cemitério, pessoas morrendo em domicílio e nos hospitais por falta de assistência… eu acho que se a gente não abrir o olho, isso vai continuar acontecendo e a gente (enfermeiros) não vai dar conta de cuidar de todas essas pessoas (que estão) precisando de um oxigênio, de um respirador”.

“ESCOLHI SER SAÚDE”

Medo. Este é o sentimento vivido pelo cotidiano da técnica em enfermagem Arayauanne Lopes e por todos os profissionais da enfermagem. Mesmo seguindo os protocolos de paramentação e desparamentação (processo de colocar e retirar os Equipamentos de Proteção Individuais), sentir medo é inevitável, tanto de ser infectado como de infectar outras pessoas.

“O processo consiste em higienização das mãos, em seguida, touca, luvas e jaleco descartável, máscara N95 , óculos e, por fim, outro par de luvas por cima da primeira já colocada. A desparamentação segue o mesmo protocolo, só que o inverso: tira-se o par de luvas extras, em seguida o avental, óculos, máscara, touca, luvas e higienização das mãos com água e, depois, álcool em gel”, relata.

Arayauanne Lopes, técnica em enfermagem (FOTO: Arquivo pessoal).

Apesar do receio, Lopes afirma que esta insegurança acaba fazendo parte do cotidiano da profissão.

“Escolhi cuidar, escolhi ser saúde, então não posso me dar o luxo de bater em retirada e muito menos me deixar paralisar por medo. Em uma guerra, os primeiros a serem chamados são os soldados e nessa pandemia os soldados são a enfermagem e a saúde”.

Portanto, vale enfatizar a importância de cumprir com as recomendações básicas de higiene e de distanciamento social da Organização Mundial da Saúde. Se puder, fique em casa pelos profissionais da enfermagem, pois eles estão sendo a lâmpada do sistema de saúde por nós.